Mundial 2026: como as marcas se preparam para a maior montra do mundo
Ainda faltam alguns meses para o Mundial de 2026 e, embora alguns negócios o vejam como algo distante, para as marcas o jogo já começou. O Campeonato do Mundo da FIFA 2026, que terá lugar no Canadá, Estados Unidos e México, será a maior de sempre, uma vez que contará com um maior número de seleções, mais jogos e, por isso, um maior impacto global.
Isto significa que quem quiser ser relevante durante o Mundial e marcar presença deve começar agora a planear a sua estratégia.
A oportunidade que o Mundial 2026 representa
O Mundial não é apenas desporto. Este evento inclui diversos fatores: arte, criatividade, cultura, entretenimento, conversa social e consumo massivo concentrado em poucas semanas.
Durante este tipo de eventos, as audiências digitais e televisivas disparam completamente. Isto faz com que as empresas compitam não só por visibilidade, mas também por relevância, já que, em datas como estas, se verificam aumentos no consumo impulsivo dos clientes, mais guiado pelas emoções.
Para isso, as marcas não devem apenas “estar presentes”, mas sim conectar-se com as pessoas.
O que as marcas devem começar a fazer
- Território de marca claro – Saber exatamente que papel a tua marca vai desempenhar durante o evento. Será símbolo de união? De diversão? De orgulho?…
- Plano em tempo real – O evento acontecerá dentro de alguns meses e durará semanas, por isso é necessário estruturar o que deve ser feito antes, durante e depois do evento.
- Atividades experienciais – O que mais chama a atenção dos clientes não é observar, mas sentir-se parte de algo e poder participar. (Pode ser de forma física ou digital)
- Colaborações – Se existir oportunidade, contactar jogadores, comunidades, influencers… para ampliar o alcance da marca e conseguir que se conecte com um público mais amplo.
3 ativações de marca que deixaram marca
🍻 Budweiser – “Bring Home The Bud”
Perante a proibição de álcool nos estádios do Qatar durante a Copa Mundial da FIFA 2022, a marca reagiu com uma campanha de sucesso nas redes sociais, #BringHomeTheBud, prometendo oferecer a cerveja não vendida ao país vencedor da competição.
Esta ação conseguiu gerar mais de 5 milhões de interações em aproximadamente 20 dias e conseguiu transformar uma restrição numa oportunidade de conversa global.
A marca não promovia o seu produto de forma direta; focava-se antes em proporcionar humor, emoção e participação. Esta campanha transformou uma limitação em algo positivo e memorável.
A sua mensagem clara mostrava como, mesmo em situações inesperadas e com obstáculos pelo caminho, continuam a existir formas de conectar com o público e gerar um impacto positivo que deixe marca durante muito tempo.
👟 Adidas – “Impossible is Nothing”
Durante o Mundial de 2006, a Adidas lançou um spot que representava da melhor forma o seu slogan “Impossible is Nothing”.
No anúncio, dois miúdos espanhóis desafiam-se a jogar uma partida na rua e começam a escolher os seus jogadores favoritos para fazerem parte das respetivas equipas. O que começa como uma cena quotidiana transforma-se em algo extraordinário, pois cada jogador que nomeiam aparece rapidamente em campo. Assim, vemos como os dois miúdos acabam por jogar uma partida amigável com estrelas como Zinedine Zidane, Michel Platini, Kaká, Franz Beckenbauer, David Beckham…
Este spot transforma uma brincadeira de criança numa fantasia possível, e é daí que vem a sua força.
Aqui não se fala de chuteiras ou equipamentos, nem de produtos em específico. Fala-se de algo mais importante: o futebol como sonho universal. A campanha consegue criar uma conexão entre gerações, misturando a imaginação infantil com referências históricas do desporto.
Desta forma, é lançada uma mensagem aspiracional e clara: no futebol (e na vida), nada é impossível.
🚗 Hyundai Motor Company – “Be There With Hyundai”
Desde a Copa Mundial da FIFA 2006, a Hyundai tem permitido que os adeptos criem slogans que aparecem nos autocarros oficiais das seleções.
Esta ativação transforma também o adepto numa parte visível da competição e leva-o além do papel de simples espectador. Cada texto enviado torna-se mais um elemento real do evento, gerando desta forma participação e mais orgulho por parte dos fãs.
Com esta campanha, a Hyundai não vende carros; constrói uma ligação emocional e também melhora a sua presença de marca graças à participação do público.
Desta forma, consegue integrar o consumidor na experiência oficial do evento, reforçando o vínculo, a visibilidade e a própria relevância da marca de uma maneira próxima e autêntica.
O que podemos aprender para 2026
- Em muitos casos, a emoção vende mais do que o desconto ou o produto em si.
- O tempo real exige uma planificação prévia para que tudo corra da forma correta.
- A experiência dos consumidores multiplica a recordação e faz com que se mantenha na mente dos consumidores durante muito tempo.
- Se não tens um território claro, perdes oportunidades.
Como já mencionámos, a Copa Mundial de Futebol de 2026 será maior do que nunca, mas isto também gerará muito mais concorrência (em todos os âmbitos), sobretudo do ponto de vista publicitário.
As marcas que já estejam a desenhar a sua estratégia hoje chegarão com vantagem.
Conclusão
Os grandes eventos não se improvisam, trabalham-se com meses (ou até anos) de antecedência.
O Mundial não servirá apenas de montra para dar a conhecer muitas empresas ou gerar visitas, mas também será uma oportunidade para reforçar o posicionamento das marcas e para construir e manter uma identidade, conectando-se com os consumidores.
Isto fará com que as ligações se mantenham ao longo do tempo e se gerem memórias. Assim, a marca não desaparecerá da mente do público quando o jogo terminar.