Missão Alimentaria 2026
O Departamento de Marketing marcou presença na Alimentaria 2026, em Barcelona. Uma das maiores feiras europeias do setor agroalimentar que “alimenta o futuro” nos últimos 50 anos.
Organizada no recinto Gran Via da Fira de Barcelona, a feira reuniu mais de 3.300 empresas expositoras e cerca de 110.000 visitantes profissionais de mais de 120 países, consolidando-se como uma plataforma global de negócios, internacionalização e networking .
Percorrer 7 pavilhões do tamanho da nossa FIL sem uma missão seria impossível. Nós definimos 5 missões entre toda a equipa para guiar a nossa visita: a melhor inovação, o produto com maior potencial de mercado, as principais tendências, a melhor ativação e o melhor stand.
1. A melhor inovação
Entre as várias marcas presentes, a que mais se destacou pela sua proposta inovadora foi a Plesh, uma startup catalã focada em reinventar o consumo de snacks doces.
A ideia é simples, mas poderosa: criar snacks saborosos com menor impacto na saúde. Sem açúcares adicionados, estes produtos utilizam o “Zero Up”, uma alternativa baseada em fibras vegetais que evita picos de glicose no sangue.
Mais do que produto, há aqui uma narrativa clara:
o fundador questionava o facto de pessoas diabéticas terem de “compensar” com insulina para consumir algo doce. A marca nasce, assim, com uma missão: redefinir o prazer.
A estratégia digital da Plesh reforça esta identidade, com uma comunicação leve, próxima e centrada no lifestyle, tornando o produto apenas uma parte da experiência da marca.
Não surpreende, por isso, que tenha sido distinguida nos Prémios Innoval 2026, que reconhecem os lançamentos mais inovadores da indústria alimentar.
Esta start-up já conta com investimentos de Marc e Pau Gasol, Rudy Fernández e Gerard Piqué, além de fundadores de outras empresas de sucesso. Prepara-se para expandir a sua distribuição para outras geografias.
Menção honrosa:
As irreverentes Xocochips da Patatas Alfonso Torres. Batatas fritas cobertas de chocolate, que continuam a provar que inovação também pode ser provocação.
2. O produto com maior potencial
HUEBOX (Estrella Galicia)
Entrámos para beber uma cerveja. Ficámos pelo produto.
A HUEBOX é uma máquina de cerveja de pressão pensada para consumo doméstico, utilizando barris de 3 litros com um design próprio. Considerámos este produto o de maior potencial de mercado, tanto para o mercado espanhol, como português.
Simples, prático e sem complexidade técnica.
Num mercado cada vez mais orientado para conveniência, este produto destaca-se por:
- facilidade de uso;
- diferentes tipos de cervejas;
- experiência próxima do consumo fora de casa (estilo Nespresso);
- modelo de distribuição via e-commerce;
Mais do que preço, ganha pela experiência.
Se para nós não ficou claro porque é que tem forma de ovo, a marca explica com o seu claim “Os lo hemos puesto a huevo”, que se pode traduzir para “entregamos tudo de bandeja”.
3. As principais tendências
A Alimentaria continua a ser um barómetro da evolução do setor.
Destacamos quatro grandes tendências:
- Adaptação a novos contextos de consumo
É cada vez mais presente no desenvolvimento de produtos as ocasiões e os locais de consumo mais atuais. A própria forma como se trabalha a marca ou se contextualiza o produto passa a depender de forma crescente do contexto, e onde a marca o tenta estar presente.
Exemplo: vinhos em lata.
- Sustentabilidade e produtos orgânicos
Passou de discurso a uma realidade que se manifesta nos mais diversos produtos alimentares. As opções com estas características e preocupações são crescentes e rapidamente poderão passar a ser transversais no mercado e não uma vantagem ou diferencial.
- Saúde e bem-estar
Produtos ricos em proteína, sem açúcar ou com reformulações nutricionais. O impacto na saúde é cada vez mais incluído como um dos aspetos de qualidade dos produtos. O melhor exemplo disso é a Plesh.
- Automatização e robotização
Tecnologia aplicada à produção, distribuição e experiência. A maioria dos desenvolvimentos tecnológicos ocorrem em redor destas tendências.
Vimos um robô a tirar cafés.
4. A melhor ativação
KitKat (Nestlé)
Mesmo sendo uma feira profissional esperávamos mais ativações. Na maioria dos stands as “melhores ativações” são provas ou ofertas de produto.
No stand da Nestlé, a KitKat apresentou aquela que considerámos a melhor ativação da feira.
Um simulador de Fórmula 1 totalmente imersivo, alinhado com o patrocínio da marca, transformava visitantes em condutores. Adultos a divertirem-se como crianças.
O mais interessante? A coerência total entre:
- marca
- território de comunicação
- ativação
Num evento dominado por abordagens funcionais (business centers e amostras), esta experiência destacou-se por trazer emoção e memória.
Menos produto, mais marca.
5. O melhor stand
O stand que mais gostámos foi o da Casa Tarradellas.
Num contexto onde muitas marcas ainda confundem presença com visibilidade, a Casa Tarradellas destacou-se pela clareza estratégica.
O stand dividia-se em três zonas distintas:
- Show cooking ao vivo com uma zona de degustação confortável
- Área de sampling organizada (e capaz de aguentar as muitas filas por uma fatia de pizza)
- Espaço dedicado a reuniões de negócio.
Mais do que um stand, era um sistema.
A experiência do visitante era fluida, sem ruído ou sobreposição de estímulos, algo raro numa feira deste tipo.
Este exemplo demonstra bem como a identidade corporativa não é apenas visual: é operacional, estratégica e experiencial.
Conclusão
Cada detalhe contribui para a construção da marca. Não faz sentido estar presente numa feira apenas por estar.
As marcas que se destacaram foram aquelas que entenderam isto de forma integrada:
- Plesh, com uma missão clara
- HUEBOX, com foco em simplificar a vida ao cliente
- KitKat, com uma ativação coerente
- Casa Tarradellas, com uma execução estratégica
É preciso saber o que representar, e garantir que todos os pontos de contacto contam a mesma história. Porque hoje, mais do que nunca, a marca já não pertence apenas à empresa. A marca é de todos.