Como liderar quando o mundo inteiro está cansado?

Lideres Resilientes

Como liderar quando o mundo inteiro está cansado?

Não posso ficar o dia todo no sofá? Enquanto isto não passar não vale a pena fazer mais nada. Andamos nisto há um ano, não aguento mais. Espera sem fim. Não me peçam mais nada. Sinto-me em piloto automático. Temos ouvido, e até dito, muitas destas palavras. Quem não?

“Choques, ameaças e incertezas repentinas deixam-nos super alerta e fazem-nos ativar recursos que são superficiais: adrenalina, espírito de luta e união” – lembra a psicologa Merete Wedell-Wedellsborg. Foi assim que reagimos à primeira vaga, quase há um ano. Mas nesta 2ª vaga os desafios são outros e não os enfrentamos com a mesma energia, temos um ano de cansaço em cima. A vacina dá-nos esperança mas este arranque de ano lembrou-nos que faltam muitos meses até sentirmos os efeitos da mesma. Esta segunda vaga não tem nada de excitante.

Confusos, cansados, mal-humorados. “Atravessar este inverno pode ser o desafio de liderança mais difícil de todos” – constata a Psicologa que avança com 3 recomendações que nos fazem todo o sentido:

  • Compreender urgência vs. Importância;
  • Equilibrar compaixão e contenção;
  • Encontrar novas maneiras de se energizar a si mesmo e aos outros.

Compreender urgência vs. Importância

Stephen Covey, o nosso guru de gestão de tempo, desde sempre traça bem a diferença entre o importante e o urgente. Lembra que o que é importante nunca é urgente, e vice versa. Nada mais certo.

Em momentos de crise ficamos miopes e deixamos de lado tudo o que não é urgente. Todo o dia de reunião em reunião, a resolver urgências sentimo-nos em ação enquanto o mundo está em suspenso. 

No artigo da Harvard Business Review assinado pela Dra. Merete Wedell-Wedellsborg, que também pode ser lido na íntegra no seu linkedin, há um exemplo incrível: “em unidades militares, o tédio e o tempo de espera são vistos como mais stressantes do que o combate real. No estudo “The Challenges of the Disengaged Mind” descobriu-se que, quando as pessoas eram obrigadas a estarem sentadas numa sala sem fazer nada, optavam por choques elétricos em vez de passar o tempo em silêncio”. Avança ainda que “a maioria das pessoas parece preferir fazer algo em vez de nada, mesmo que esse algo seja improdutivo ou prejudicial”. 

“Quando a Covid-19 terminar, logo resolveremos …”. Líderes e equipas devem evitar esta tentação. Não adie tudo para quando isto passar. Voltar a ligar os motores, alinhar as equipas para a (re)construção, estar preparado para os desafios da retoma é trabalho de hoje e não de amanhã. 

Perguntas que nos fazem pensar:

  • Como transformamos o impulso de curto prazo em vantagens de longo prazo?
  • Estamos preparados para o frenesim que inevitavelmente surgirá após a vacina? 
  • Desta crise, quais as coisas que aprendemos e queremos manter ou até potenciar no futuro?

“As empresas irão exigir reconquistar negócios perdidos e recuperar clientes. Para muitas empresas, lidar com as consequências será tão intenso quanto lidar com a crise.” – bem lembrado Dra. Merete Wedell-Wedellsborg.

Equilibrar compaixão e contenção

Compaixão não é pena. Compaixão “é a capacidade de observar e absorver o que está a acontecer ao seu redor, mas fornecer uma sensação de estabilidade. A estabilidade surge de estabelecer limites, de manter a pressão ao nível ideal, e de ajuda mutua para superar a autopiedade e o mau humor”.  A definição é do Professor Anand Narasimhan.

Neste momento não são as perdas financeiras que estão no centro das preocupações, como sentimos na primeira vaga. As perdas estão assumidas. Neste momento a preocupação são as pessoas, a saúde, o estado de alma e o fôlego, ou o que resta dele.

As organizações estão a levar mais a sério o bem-estar, sobretudo o mental. As fronteiras entre as vidas pessoal e profissional suavizaram-se. Uma reunião começar por “como te sentes hoje”, ser interrompida por um filho ou pelo toque da campainha é encarado com normalidade.

Os líderes têm que estar mais atentos, ouvir mais, estar lá nos momentos difíceis, partilhar, mostrar também as suas fragilidades e enfrentar todas as dúvidas e desconfortos, sem a tentação de saltar para o próximo tópico da agenda. Mais devagar, mais unidos. 

Contenção. Nada disto deve significar excesso de mimo ou colo. Isso pode ser contraproducente. Todos temos que ser capazes de fazer algo em vez de simplesmente nos deixarmos levar. A chave é encontrar o equilíbrio certo entre cuidar e desafiar, entre compaixão e contenção.

Encontrar novas maneiras de se energizar a si mesmo e aos outros

Como gerir o “combustível” sem saber quantos quilómetros faltam? Onde está a meta? Qual é o prémio? Faltam respostas. Falta paciência.

Não pode faltar energia. Energia gera energia. “Há muitas maneiras de energizar: partilhando histórias de sucesso, criando competições, dividindo projetos longos, comunicando. Mas também encurtando reuniões infinitas, eliminando projetos complicados e permitindo conflitos construtivos e feedback honesto nas suas equipas”. Todas são sugestões da Dra. Wedell-Wedellsborg. 

Acrescentamos mais algumas: Um cliente nosso decidiu abolir as reuniões às quarta-feiras. Outro é implacável na pausa para o almoço e proibiu reunioes, mails e whatsapps entre as 13h e as 14h30. Outro bom exemplo é o de um CEO que todas as semanas disponibiliza 2 horas da sua agenda para, online, falar com qualquer colaborador sobre qualquer assunto. Aceita responder a todas perguntas, incluindo à “vou ser despedido?”.

Nós, no Departamento de Marketing, continuamos a fazer as nossas Walking Meetings. Mesmo sozinhos, fisicamente separados, fazemos as reuniões “juntos”, de headphones e a caminhar. Pensar e andar ao mesmo tempo energiza qualquer pessoa. Criámos também encontros informais com “Líderes Resilientes”, sem agenda, apenas para desabafar, trocar ideias, para sentirmos que não estamos sozinhos. 

Ninguém deve sentir-se sozinho e todos temos que ter bem claro que isto vai passar. Se enfrentarmos um obstáculo a pensar que é permanente, é um problema geral e não há nada a fazer, ficaremos com pouco ou nenhum poder para agir. Pessoas resilientes estão mais dispostas a tomar decisões porque acreditam que têm um impacto real nas situações e não têm medo de as influenciar.

Há quem diga que os verdadeiros líderes são os criadores de líderes e não os criadores de seguidores. Aproveitando as alterações nas dinâmicas, na comunicação e nos processos, este é um momento favorável para o surgimento de novos líderes.

Atravessar este inverno pode ser o desafio de liderança mais difícil de todos. A resiliência é a qualidade mais fundamental para navegar no caos. 

A resiliência e a união!

#estamosjuntos

Agradecemos a inspiração da psicologa Merete Wedell-Wedellsborg que nos chegou através do artigo “Como liderar quando as equipas estão exaustas – e você também” publicado pela RH Magazine.

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